quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Café

O Rio de Janeiro tem seus encantos. Mas café dos bons, não tem.

Certa vez comentei com você que a gente tava com dificuldade de comprar um café bom aqui no Rio, que as marcas eram diferentes das do Recife e de Salvador.

Semanas depois, voltando pro Rio de uma visita ao Recife, fiz conexão em Salvador, onde mataria as saudades de vocês, ainda que por alguns instantes, no saguão do aeroporto.

Amanda, minha amiga, havia encomendado um café Santa Clara e, esquecido como só eu sei ser, não lembrei de comprar. Perguntei se você poderia comprar pra mim, me salvar mais essa vez.

(Hoje, pensando bem, percebo que nem precisava ter perguntado. Pra você, qualquer --qualquer mesmo-- pedido de um filho era uma ordem. E você não mediria esforços para cumpri-la.)

Você apareceu, dois pacotes à mão. Missão cumprida. Pai feliz por deixar o filho feliz. E o café, delicioso.

Na outra vez que fui a Salvador, os cafés já estavam comprados. Quando minha mãe veio me visitar no Rio, trouxe na bagagem seu presente, mais cafés.

Uma aquisição trivial, cotidiana, nas suas mãos, se tornou gesto de carinho. Você transformou café em amor. E qualquer xícara de café, desde então, tem um gosto mais especial.

Hoje, quando sinto o cheiro do pó de café, chego a me arrepiar. E mato a saudade de você.

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