Pai,
o nosso Recife continua lindo, apesar de todas as mazelas. A cidade que te serviu de berço e anos depois me acolheu como filho legítimo, continua a encantar seus visitantes do jeito que só ela sabe fazer.
Ontem à tarde conheci o Paço do Frevo, que fica ali na Praça do Arsenal, perto da lanchonete onde você adorava tomar os seus maltados. Imaginei sua felicidade e orgulho. Pude admirar as lindas fotografias que você certamente faria.
Nossa família, que você sempre fez questão de enaltecer, continua a me extasiar com tanto amor. Que mãe linda você tem! Que irmãos maravilhosos! Que sobrinhos! (E assim por diante...)
Pensei tanto em você... Quis tanto que você estivesse aqui, entre nós. Entre os seus. Queria mais uma vez te ver feliz como um pinto no lixo.
Mas ao observar seu sorriso estampado na histórica foto de família --idealizada por você--, feita no último Natal que passamos juntos, sua mão direita envolvendo a mão esquerda de vovó Isinha, voltei a me alegrar. Pela sorte de ser seu filho.
Pode ficar despreocupado. Vitório, assim como eu e Marina, também vai se sentir em casa no nosso Recife.